
E lá vamos nós... Mais uma semana se passou, o tempo voou, trabalhamos, estudamos e esperamos ansiosos pelo feriado de Páscoa, que por sua vez comemora a ressurreição (ou ressureimento como diria a Talissa) daquele cara lá de cima.
Que coisa. Acabei de lembrar daquela música idiota da XUXA que dizia assim “tudo que eu quiser, o cara lá de cima vai me dar”. Há há há né? Duro é que tudo que ela quis quem deu pra ela foi o salário exorbitante que ela ganhou da globo durante todos os anos.
Viagens da minha mente a parte, continuemos com as histórias de interesse comum.
Chega a quarta-feira, estava eu com meu carrinho de compras cheio de parafernálias para propiciar um acampamento confortável para todos os membros da família anfetamina, quando recebo uma ligação da Talissa falando de fazer alguma coisa, só pra passar o tempo, já que ela e o doido em ascensão do Fábio não iam conosco pra Brotas.
Foi assim que tivemos a ilustre idéia de ir ao STICK BEER em Araras, onde de quarta-feira acontece um DELICIOSO forró onde para entrar é necessário enfrentar uma fila de 1 hora e meia.
E assim foi, 1 hora e meia, 4 chicletes, 3 cigarros e muito stress depois estávamos dentro do arrastapé ararense... Demos uma pequena volta nos 3,5 metros quadrados do lugar (sendo que 1,5 metros são de área construída), e chegamos a conclusão que aquele tipo de música só poderia ser dançado por seres humanos que não se encontrassem em estado de sobriedade. Dessa forma decidimos beber algumas long-necks de 600ML cada para nos animarmos.
Quando decidimos que já estávamos embriagados o suficiente para tentar fazer aquele famoso dois pra lá dois pra cá, fomos pra pista e começamos a dançar forró. E não é que o álcool havia ajudado mesmo? O único problema é que tudo que conseguimos fazer foi um rebolation disfarçado de dança folclórica precária. Mas o que vale é a intenção, certo?
Que coisa, a noite parecia estar perdida. Ainda eram 23:59 e não agüentávamos mais dançar aquele som frenético de sanfonas e triângulos quando surge um luz no fim do túnel, ou melhor, um ELECTRO no fim da caixa.
Resultado da quarta: Eu, Talissa, Fábio e Keity dançando 4 hrs seguidas em cima do palco do STICK BEER, sem dó nem piedade.
A quinta-feira chega, e com ela a ressaca, o cansaço e uma agenda cheia de coisas pra resolver. Mas nada que me impedisse de montar todas as barracas, tendas e apetrechos que iríamos levar para o acampamento no quintal de casa.
O dia passa, a dor de cabeça diminui os problemas aumentam e a hora de ir chega... Todos posicionados nos pequenos espaços úteis do carro que não estavam ocupados por bagagens e seguindo rumo a Brotas, onde passaríamos os próximos 3 dias dormindo em superfícies inclinadas, em recipientes com entradas abruptas de ar FRIO e com claridade suficiente pra acordar a criatura mais sonolenta do universo.
Chegamos ao camping... Carros descarregados, barracas montadas, colchões infláveis cheios, caixas térmicas devidamente posicionadas, cerveja gelada, quiosques alugados e uma conclusão inesperada: a graça dos acampamentos está no fato de que as coisas nunca saem 100% da maneira esperada, já que mesmo montando todo o acampamento de tarde em minha casa ainda assim consegui levar a pasta de dente e esquecer a escova, levar os lençóis e fronhas e esquecer o travesseiro, levar a carne e esquecer o carvão e conseqüentemente levar a cabeça e esquecer o cérebro.
A noite de quinta é calma... bebemos um pouco, falamos algumas besteiras, comemos algumas porcarias e fomos dormir. Aliás... fomos tentar dormir, uma vez que nossos vizinhos decidiram passar a noite fumando substância ilegais em mais de 200 países e filosofando sobre assuntos que não tinham o menor nexo.
O dia amanhece, o calor é insuportável... Acordo com o Gu reclamando algo sobre estar cozinhando e o Fernando berrando coisas do tipo:
- PUTA MERDA CAIO, EU FALEI QUE ERA PRA MONTAR A BARRACA EMBAIXO DA ÁRVORE, AGORA OLHA SÓ QUE MERDA, TODAS AS OUTRAS PESSOAS DORMINDO EM PAZ E A GENTE ACORDADO 7 HRS DA MANHÃ DE UMA SEXTA-FEIRA SANTA.
Mas o pior de tudo mesmo... É que ele tinha razão...
Tomamos nosso café da manhã. Uns comerão pão com queijo, outras pão com presunto, alguns pão com lombo e outros soltaram pérolas do tipo “Vou comer presunto pq presunto não é carne, é FRIOS”.
As horas passaram de uma maneira desanimada, todos estavam com sono e mau-humorados por terem acordados embaixo do sol, a Camila não parava de repetir aquela frase insuportável “Promete que nós vamos numa cachoeira?” e os vizinhos tocavam músicas que hora me davam vontade de ir embora e hora me davam vontade de explodir meus miolos.

Irritado com aquela situação, busquei no doidomóvel algumas bexigas que havia comprado, as enchi de água e iniciei um pequena guerra, que em poucos minutos deixou todo mundo molhado e com vontade de nadar.
Falando em guerra, esses dias eu estava pensando a respeito da ameaça britânica de atacar o Irã e imaginei o seguinte diálogo entre o Tony Blair e George Bush:
[Bush liga pra Tony]
- Alô, Tonynho?
- Falaaaaa Mano
- E ai cara, tudo certo?
- Vê lá cara, esse Iranianos filhos da puta tão começando a me irritar
- Pq Mano?
- Ah cara, eles ficam mexendo com energia nuclear e coisa e tal. Os caras mal sabem mexer num computador e tão querendo ter potencial pra fazer uma bomba atômica
- Mas Bush, caralho, sossega, vá fazer um churrasco e deixa os caras brincarem o plutônio em paz
- Não é isso cara, a questão é a seguinte, se esses filhos da puta representarem uma ameaça pra porra desse meu país eu vou ter que começar uma guerra nuclear. E sabe o que isso significa? Significa que eu vou ficar vários meses sem festa, sem poder assistir tv e ainda tendo que ter reuniões diárias com um bando de generais frustrados que passaram metade de suas vidas masturbando um espingarda.
- Ta certo mano, mas o que podemos fazer?
- Então Tonynho, eu tava aqui pensando com o cérebro do meu assistente e acho que o melhor é que vc declare guerra a eles
- O que? Eu declarar guerra a eles? Se eu fizer o mundo inteiro vai me odiar
- Pois é seu filho da puta, ai vc vai saber exatamente como eu me sinto
- Hehehehehehehe
- Mas eu não posso fazer isso, não tenho a influência política que seu país tem pra peitar o mundo inteiro
- Foda Tonynho, eu não to afim de fazer isso, faça vc. Caso contrário eu declaro guerra a vc e enfio um nabo na bunda da sua Rainha.
Que merda né? Enfim... Eu tinha que escrever que isso...
Continuando...
Algumas bexigadas depois tomamos a decisão de ir visitar a tal da cachoeira que a Camila tanto havia falado.
Eu fui, contrariado, mas fui. Inclusive fui pensando durante o caminho, “eles tão me fazendo andar 15 kilometros de carro, mais uns 3 a pé, tomar tombos, me machucar pra chegar lá e ver a merda de uma queda d’água pra tirar duas fotos e voltar embora”. Mas dessa vez havia me enganado. A quedinha d’água tinha 25 metros de altura e serviu pra dar outros ares praquela viagem. Sem sombra de dúvidas...
Voltamos ao acampamento, jogamos peteca, frisbie e nos entrosamos com a vizinhança... Até descobrimos que as pessoas ao chegar no acampamento tinham a seguinte instrução: se vcs forem normais, acampem dessa lado, senão acampem perto daquele pessoal lá ó.
Aquele pessoal lá éramos nós...
As horas as passam, os ânimos se exaltam e quando a meia-noite se aproxima vem a contagem regressiva para todo mundo poder comer a carne que já estava assando na churrasqueira.
E foi assim que a paz do camping começou a ser sucumbida...
Após os seguranças do camping reclamarem umas 3 vezes do barulho que estávamos fazendo um sentimento de repressão tomou conta de nós. Me fazendo lembrar de frases que eu havia escutado na infância de meus pais, professores, inspetores de alunos e outras pseudoautoridades que se davam ai direito de chamar minha atenção. Frases como:
- Vc não tem autorização pra terminar essa aula mais cedo;
- Tire essas tachinhas da boca do seu amigo;
- O desenho livre é pra ser feito apenas no papel, não na parede;
- Não jogue esses gatos no rio;
- Não é pq é festa junina que vc pode soltar bombas no banheiro da escola;
- As folhas do caderno não são para fazer dobraduras;
- O escritório do seu avô não é um quartel general;
- Vc não pode por sabão no corredor pra ficar escorregando;
- Seu primo não é seu escravo;
- Rojões são feitos para soltar para o alto;
- Espingardinha de chumbo machuca SIM;
- Os vidros em cima dos telhados das casas são aquecedores solar, e não algo para vc treinar tiro ao alvo;
- Vc não pode jogar água salgada em condutores elétricos;
- Vc não pode jogar vodka no aquário.
Eu acho que tinham outras, mas minha memória é fraca e eu não vou força-la.
A partir daí muita coisa aconteceu. Eu bebi demais e fiquei 2 hrs esperando o Fernando voltar de uma balada na qual ele nunca havia ido, a Keity secou o cabelo no camping, o Gustavo comeu carne do chão, o Fernando derrubou a barraca de uma pessoa que estava dormindo, torturamos um mosquito, cantamos músicas esquisitas, escrevemos frases sem nexo na perna da Camila, falamos coisas que até agora é difícil de acreditar, alguns descobriram novas situações, outros reviveram certas situações, uns se divertiram muito, outros se divertiram demais, alguns não dormiram, outros dormiram menos ainda, mas no final todo mundo ficou satisfeito.
É isso ai... Tinha tudo pra dar errado, mas deu mais do que certo.